sábado, 29 de outubro de 2011

Selva Selvaggia - Millor Fernandes

De repente um terror me sacode, penetrei distraído e sinto que estou perdido na terrível floresta da linguagem. Ignorando a estrada sintática cai em zonas praticamente intransponíveis, sem querer me entregar ao medo eu vou tropeçando em anglicismos, latinismos, barbarismos e idiotismos de linguagem, quando ouço o silvar de vocábulos paragógicos, caio no areal dos solipsismos e redundâncias esmagando um horrendo pleonasmo, escorregando em sinistras hipérboles agarro-me a um verbo auxiliar e a um complemento essencial. Porém hibridismos me barram o caminho, ensurdecido por rotacismos e lambdacismos ao arranhar prol orações anfibológicas recuo para cair no terrível situar da regência, de onde raros escapam com vida…
Galhos de corruptelas me cortam o rosto enquanto sufoco com os cheiros dos defectivos, ponho o pé no nome próprio que eu acho seguro, mas, logo seis substantivos deverbais saltam sobre mim. Não tendo fuga me protejo com uma próclise evitando duas espantosas desóclipses e aproveito o advérbio de negação para atrair 3 pronomes relativos colocados em posições ameaçadoras, estou esgotado, felizmente surge a clareira de um parágrafo… Avanço abrindo parênteses onde enfio arcaismos, anacronismos, expressões chulas e ambivalentes, uma silepse me espera mais a frente, desvio-me com uma vírgula, engano uma prosopopeia e sou envolvido por odiosas ressonâncias verbais, descanso sobre reticências, quando ouço o tam-tam das interjeições pejorativas emitidas por sujeitos ocultos por elipses apocopes, escapo pela picada do eufemismo paru para respirar no fim de um período simples, avanço pela pedreira dos metaplasmos, luto com apofonias, salto o pantanal dos cacófagos e esbarro em cacografias empurro cacologias me arrasto pela cacoeteira estou sufocado de exaustão diante de uma centena de substantivos promíscuos já desespero quando vejo um lugar-comum e chego ao ponto final