De repente um terror me sacode, penetrei distraído e sinto que estou
perdido na terrível floresta da linguagem. Ignorando a estrada
sintática cai em zonas praticamente intransponíveis, sem querer me
entregar ao medo eu vou tropeçando em anglicismos, latinismos,
barbarismos e idiotismos de linguagem, quando ouço o silvar de
vocábulos paragógicos, caio no areal dos solipsismos e redundâncias
esmagando um horrendo pleonasmo, escorregando em sinistras hipérboles
agarro-me a um verbo auxiliar e a um complemento essencial. Porém
hibridismos me barram o caminho, ensurdecido por rotacismos e
lambdacismos ao arranhar prol orações anfibológicas recuo para cair no
terrível situar da regência, de onde raros escapam com vida…
Galhos de corruptelas me cortam o rosto enquanto sufoco com os
cheiros dos defectivos, ponho o pé no nome próprio que eu acho seguro,
mas, logo seis substantivos deverbais saltam sobre mim. Não tendo fuga
me protejo com uma próclise evitando duas espantosas desóclipses e
aproveito o advérbio de negação para atrair 3 pronomes relativos
colocados em posições ameaçadoras, estou esgotado, felizmente surge a
clareira de um parágrafo… Avanço abrindo parênteses onde enfio
arcaismos, anacronismos, expressões chulas e ambivalentes, uma silepse
me espera mais a frente, desvio-me com uma vírgula, engano uma
prosopopeia e sou envolvido por odiosas ressonâncias verbais, descanso
sobre reticências, quando ouço o tam-tam das interjeições pejorativas
emitidas por sujeitos ocultos por elipses apocopes, escapo pela picada
do eufemismo paru para respirar no fim de um período simples, avanço
pela pedreira dos metaplasmos, luto com apofonias, salto o pantanal dos
cacófagos e esbarro em cacografias empurro cacologias me arrasto pela
cacoeteira estou sufocado de exaustão diante de uma centena de
substantivos promíscuos já desespero quando vejo um lugar-comum e chego
ao ponto final
