segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Novalis

Muitos autores são ao mesmo tempo seus próprios leitores — à
medida que escrevem —, e é por isso que tantos vestígios do leitor
aparecem em seus escritos — tantas observações críticas — tanto que
pertence à província do leitor e não à do autor. Travessões — palavras
em maiúsculas — passagens grifadas — tudo isso pertence à
esfera do leitor. O leitor põe a ênfase como tem vontade — ele de fato
faz de um livro o que deseja. Não é todo leitor um filólogo? Não existe
uma única leitura válida somente, no sentido usual. A leitura é uma
operação livre. Ninguém pode me prescrever como e o que lerei.