O alfabeto foi inventado única, exclusiva e solidariamente,
pelo gênio grego, há mais de 2.000 anos, seguindo uma recomendação do corpo
especial de pressão psicológica daquela época gloriosa. O objetivo da intervenção
era fundamentalmente político: a unificação, através da escrita, das ilhas Hélade.
Como antes as representações gráficas eram todas ideogramáticas ou simbólicas,
com figuras ou cuneiformes (representativas do objeto descrito; não se
procurava ainda representar o som) isso trazia sérias complicações, equívocos e
atritos hierárquicos e até a corrupção dos que melhor sabiam se exprimir com a
complicada semântica. Mas o objetivo da nova escrita ultrapassava os limites da
unificação pura e simples. Compreende-se a impossibilidade de alguém se ofender
seriamente sendo chamado de a-ideogramático ou de seu cuneiforme. O novo
sistema de símbolos permitiu que, pela primeira vez na história, se pudesse
gritar para o inimigo esta suprema ofensa: An-al-fa-be-to!
Documentário Secreto: A Grécia. 1972
Funerary stele of Intef II. Limestone. Middle Kingdom, Dynasty XI, c. 2108-2059 BC. From Thebes.
